Fase 0 | Comunidade metabiológica

Ilustrações de Ernst Haeckel.

Ilustrações de Ernst Haeckel.

Morada  http://maryanakruk.fbaul-dcnm.pt

 

Morfologia

Corpos pequenos com simetria radial e variedade de cores. Predominância de formas circulares, que podem ser divididas em números múltiplos de 6. Quanto à cor podem conter apenas uma ou uma combinação de várias, dependendo do tipo de reprodução de que resultaram.

 

Alimentação

A comunidade alimenta-se do toque ou da proximidade de objectos/seres, excluindo os membros da sua colónia. Caso não tenha alimento suficiente a colónia torna-se agressiva para com espécies com as quais partilha o espaço. 

 

Reprodução

Sempre que o alimento se torna abundante, ou seja, quando o agrupamento recebe muitos estímulos tácteis, a espécie reproduz-se assexualmente (clones). A reprodução sexuada ocorre anualmente, são necessários 4 dias, após a reprodução, para começar a nascer uma nova colónia.

As cores resultantes de uma reprodução sexuada, correspondem à junção da cor da colónia macho e à da colónia fêmea. Por seu lado, a cor resultante de uma reprodução assexuada é sempre igual à do progenitor.

Mistura de cor – cores secundárias. Fonte: http://prismacores.wordpress.com/2012/11/06/estudo-das-cores/

 

Comunicação

Os membros das colónias comunicam através de toque (entre si ou com outros seres), no entanto podem comunicar sem toque directo – pela proximidade. Estes seres desencadeiam acções sempre que uma espécie comunica com eles, ou seja, reage momentaneamente e mostra uma espécie de caminho que outros seres podem seguir. O objectivo da sua comunicação é sempre dar indicações, guiar o outro, mostrar-lhe um caminho, levá-lo de um ponto para outro.

Touch screen com feedback táctil, da Disney.

 

Relações internas/ externas 

Os membros de uma colónia entre ajudam-se, quando algum membro está fraco ou ferido. A ajuda entre duas colónias apenas pode ocorrer se as duas estiverem em contacto/proximidade.

Geralmente tomam uma atitude agressiva perante outras espécies, exceptuando as que normalmente são encontradas no mesmo meio, não são suas predadoras e podem deslocar-se  para fora do interface. Apenas podem comunicar com outras espécies do interface, a comunicação para o exterior só é possível com a ajuda de espécies que se deslocam (mensageiro) e não representem perigo, ou pelo estímulo directo do indivíduo mais antigo da colónia. Deste modo o que fornecem à outras comunidades são indicações.

 

Sistemas de defesa/ataque

Libertam neurotoxinas que paralisam o adversário ou presa, desde que este se encontre próximo ou toque num membro da espécie. Quando se trata de adversários ou predadores, o membro começa por tentar afastá-los com empurrões, mas se não resultar injecta as neurotoxinas no outro ser.

Grandes exposições a neurotoxinas podem provocar danos na memória, epilepsia ou demência, mas também a morte. Se o ser afectado for pouco maior que o libertador de neurotoxinas, estas ser-lhe-ão fatais. Caso tenha duas vezes o seu tamanho (ou maior), sofrerá os danos acima expostos e só morrera se não se afastar.

Para além dos empurrões e neurotoxinas, para se proteger os indivíduos podem recolher-se para dentro de si mesmos (fechar-se).

 

Ameaças

Seres que não podem ser atingidos pelas neurotoxinas podem representar uma ameaça, uma vez que a espécie é séssil. O perigo poderá vir de espécies com exosqueletos ou outro tipo de protecção cutânea exterior (pele muito grossa) e seres sem sistema nervoso, maiores que os membros da colónia.

 

Distribuição e organização

Estes seres são gregários e podem construir colónias apenas com uma coloração (ou padrão). As diferentes colónias são amigáveis entre si. Estes seres habitam os interfaces, onde podem ou não residir outros. No entanto, eles são muito territoriais com a maioria das espécies, caso elas se encontrem demasiado próximas.

Os interfaces podem ser de franja, barreira ou atol (formações de recifes de coral), ou seja existem diferentes residências.

Departing Lady Elliot Is reef3  reef2

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Fase 0: Comunidade biológica. <https://maryanakruk.wordpress.com/2014/03/07/fase-0-projecto/&gt;

Coral Science. <http://www.coralscience.org/main/&gt;

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Fase 0 |Comunidade biológica

Corynactis carnea. Fotografia de Alexander Lyubyshev.

Taxonomia

Reino: Animalea
Filo: Cnidaria (Hatschek, 1888)
Classe: Anthozoa (Ehrenberg, 1834)
Subclasse: Hexacorallia (Haeckel, 1866)
Super ordem: Hexactiniida
Ordem: Corallimorpharia (Carlgren, 1940)
Família: Corallimorphidae (Hertwig, 1882)
Gênero: Corynactis (Allman, 1846)
Espécie: Corynactis carnea (Studer, 1879)

Corynactis carnea pertence à ordem Coralimorfária, um grupo de Antozoários sem esqueleto calcário, que povoa os recifes de corais. A espécie forma pseudocolónias, resultantes de uma reprodução assexuada (resultando em colónias de clones). A espécie é muito pouco estudada e segundo Verena e Gunter (2005; 96), pode representar um complexo de espécies, devido à alta variação dentro da espécie. No entanto, esta espécie pertence à filo que representa o grupo de animais mais antigos e os primeiros a revelar uma espécie de inteligência e movimento – através da rede nervosa.  Vídeo Cnidarians.

Estes organismos gregários são encontrados nos oceanos Pacífico e Atlântico, prevalecendo nos recifes da América do Sul. Normalmente povoam rochas ou corais do infralitoral, de 2m a 100m de profundidade, em zonas de correntes moderadas. A distribuição , em geral, depende muito da qualidade da água, no entanto estes organismos sobrevivem bem em condições extremas e de stress, como a exposição ao ar durante baixa-mar (Almeida, 2012; 2). Isto representa uma vantagem competitiva sobre muitos organismos bênticos sésseis, como os escleractíneos, quer em disputas por luz ou por alimento (13).

O seu ciclo de vida, apresenta apenas a fase de pólipo, nunca passando para medusas (Almeida, 2012; 1).

Morfologia

Corte transversal do pólipo.

Corte transversal do pólipo.

Estes seres, de esqueleto hidrostático (constituídos maioritariamente por água), possuem uma simetria radial, têm corpos em forma de saco cilíndrico liso, dividido em duas camadas. A camada exterior (epiderme) e a interior (gastroderme) estão separadas por uma parte gelatinosa (mesogleia), que proporciona um esqueleto elástico e flexível. No centro do corpo cilíndrico encontra-se a faringe e a cavidade gastrovascular que permite fazer a digestão e a distribuição de nutrientes e partículas pelo corpo do pólipo. Estes corais possuem uma única abertura, que se situa no centro do disco bocal – a boca, à volta da qual estão dispostos de forma simétrica os tentáculos (6 ou múltiplos de 6), estes preenchem todo o disco bocal. Os seus músculos são, geralmente, fracos, mas os tentáculos são bem desenvolvidos e retratáveis (Almeida, 2012; 17).

Os animais da filo Cnidária possuem uma rede nervosa, ou seja um sistema de neurónios interligados, que permite a seres sem um céfalo/cérebro coordenação de movimento (voluntário e propositado) e reacção à estímulos tácteis.

Morfologia geral de pólipos ou anémonas.

Morfologia geral de pólipos ou anémonas.

Os tentáculos de C. carnea são cobertos de espirocistos, que formam uma camada de fios adesivos. Nas pontas dos tentáculos são encontradas as acrosferas, estas contêm cnidários que podem ser compostos por vários tipos de cnidoblastos (células urticantes), com funções de defesa, agressão/ataque, alimentação ou de assentamento larval.

Os seus tentáculos, tal como o corpo, são curtos, no entanto os tentáculos marginais são mais longos do que os discais (mais próximos da boca).  Estes pólipos crescem até 1cm de diâmetro.

A sua coloração é muito variável (Acuna, 2009; 50), o pólipo pode apresentar-se com cores translúcidas e mais ou menos intensas ou até criar combinações de cores diferentes no corpo e nos tentáculos.

Stylopora pistillata a alimentar-se de náuplios de Artémia.  Fonte: http://www.ipaq.org.br/vb/content.php?113

Stylopora pistillata a alimentar-se de náuplios de Artémia. Fonte: http://www.ipaq.org.br

Alimentação

A alimentação ocorre com a ajuda dos tentáculos, estes reagem ao toque da presa e tentam levá-la à boca do pólipo, para dentro da qual são também recolhidos, fechando-se para digerir o alimento. A alimentação consiste em plâncton (fito,  zoo e bacterioplâncton), detritos orgânicos, nutrientes dissolvidos e crustáceos, nomeadamente  camarões Artémia, náuplios de Artémia, e ainda ovas de lagosta.

Quando se trata de presas como os crustáceos, os tentáculos agarram-nos por meio dos espirocistos, de seguida injectam na presa neurotoxinas que actuam à nível do sistema nervoso central, através dos nematocistos, paralisando a presa e possibilitando aos tentáculos levá-la para o orifício bocal.

Mecanismo de desencadeamento dos cnidoblastos.

Mecanismo de desencadeamento dos cnidoblastos.

“Illustration depicting cnidocyst discharge into prey. The cnidocil is a mechanosensory element on the apical surface of the cnidocyte. Upon appropriate stimulation, including mechanical stimulation of the cnidocil, the cnidocyst is triggered to rapidly evert its stinging thread into the potential predator or prey. Venom is then delivered into the contacting organism.”  (Oppegard S.C., 2009).

Defesa e ataque

Os corais são organismos sésseis, permanecem no mesmo sítio a maior parte da sua vida e como tal ficam expostos a predadores, não podendo fugir rapidamente. No entanto, alguns corais desenvolveram defesas naturais que consistem em toxinas, estas podem ser produzidas pelos próprios corpos ou por bactérias que vivem em simbiose com esses corais (Van Der Weijden). A maioria dos corais, inclusive as Corynactis, possuem nematocistos – cápsulas no interior dos cnidoblastos, que disparam agulhas com neurotoxinas e podem ser utilizados tanto para “caçar”, como para lutar com um caçador ou membro de outra espécie (pelo território ou alimento).

As toxinas mais usadas são neurotoxinas, actuando ao nível do sistema nervoso da presa ou oponente, normalmente paralisando-o e levando-o à morte.

Os membros da ordem Coralimorfária, apresentam um certo grau de agressividade perante outras anémonas e corais residentes do mesmo território. Estes cnidários podem expulsar os seus filamentos mesentéricos para os membros de outras espécies, que se manifestam, segundo Chadwick (1987; 113), por contracção/recolher dos tentáculos, inclinação ou deslocação para longe e ainda contra-ataque. Os filamentos podem ser estruídos pela boca (69%), através de aberturas na coluna (7%) ou das junções entre a coluna e a base (24%) (Almeida, 2012; 14).

Este comportamento é frequente em relação a corais escleractínios (da mesma classe: Antozoa), resultando em danos graves que vão desde lesões, cicatrizes e necroses, podendo os membros de Coralimorfária substituírem completamente os corais. Felizmente, esta é uma atitude que a espécie reserva apenas a espécies alheias, não se verificando entre os membros da mesma família ou espécie, mesmo que sejam colónias de diferentes pólipos (de progenitores diferentes). Quando o mesmo tipo de interacção ocorre com as esponjas, macroalgas e hidrocorais, não são registados danos (Almeida, 2012; 14).

Alguns corais desenvolveram sistemas imunitários intrincados (Wijgerde, a), conseguem reconhecer o tecido genético da sua espécie, à qual se fundem ou transferem energia e nutrientes para curar doenças/feridas.

Reprodução

Os pólipos de Corynactis carnea reproduzem-se de forma assexuada (Cha, 2007; 54) e sexuada, ocorrendo a primeira por meio de gemulação e a segunda por meio de larvas planctónica (Almeida, 2012; 15).

A primeira, uma espécie de clonagem, ocorre segundo uma fissão longitudinal (ou múltiplas), formando duas colunas – dois pólipos – independentes, pode acontecer, no entanto, uma fissão incompleta ou imperfeita resultando em dois corpos ligados pelo tecido da base. Este método pode ser reproduzido artificialmente, procedendo-se a um corte longitudinal do pólipo, de modo a dividi-lo em duas partes iguais. Este tipo de reprodução permite uma rápida colonização de áreas novas, no entanto a colónia corre o risco de ser devastada por uma doença presente em todos os corpos. “É provável que ocorra com mais frequência em ambientes com alto grau de estabilidade por um longo período, (…)” (Almeida, 2012; 16).

Fases mais importantes do desenvolvimento da larva plânula.

Fases mais importantes do desenvolvimento da larva plânula.

A reprodução através das larvas, ocorre quando a colónia de pólipos masculinos liberta sémen para a água, enquanto que uma colónia de pólipos femininos liberta ovócitos, uma vez fecundados na água estes evoluem para uma larva planctónica que se planta numa superfície para colonizar o espaço. Os ciclos de reprodução sexual são anuais com produção sazonal dos ovócitos.

Em algumas espécies de coralimorfários os pólipos femininos encontram-se no centro, cercados pelos pólipos masculinos. A reprodução está ligada às subidas de temperatura da água (sazonais) e também com maior presença de plâncton/alimento (Holts, 1992; 129).

Os pólipos resultantes de “clonagem” têm todos o mesmo sexo e a mesma cor. Um clone, apenas, “pode duplicar o número e, portanto, reclamar a superfície dos seus pólipos, em dois meses” (Langstroth, 2000; 143).

Associações simbióticas

Apesar de que C. carnea habita a profundidades mais ou menos superficiais (2-100m), esta não usufrui da endossimbiose com as algas zooxantelas, relação mais comum nos cnidários. No entanto, espécies deste gênero podem beneficiar da presença de macroalgas (comensalismo), que lhes fornecem protecção e reduzem a velocidade do fluxo de água, o que lhes aumenta a disponibilidade de alimento (Almeida, 2012; 14).

Num recife de coral, todos os habitantes dependem de algum modo de outros. Os corais alimenta-se de detritos dos restantes organismos. O que coloca a espécie carnea numa espécie de relação mutualista com os corais, os pólipos agarram-se aos corais calcários (mortos), que lhes providenciam uma residência e os pólipos fornecem alimento para corais vivos quando produzem detritos.

As espécies Corynactis podem representar perigo para algumas espécies de estrelas-do-mar, que evitam as primeiras (Almeida, 2012; 13). Por conseguinte, é frequente a presença próxima de mexilhões, vieiras e amêijoas (Levenbach, 2007; 18), que procuram protecção contra as estrelas-do-mar.

Ameaças

Tal como a grande parte da biodiversidade dos recifes de corais, a espécie C. carnea é afectada pelo aquecimento global, que acaba por provocar mais danos no sentido em que existem muitas relações simbióticas nos recifes, tornando a maioria dos seus habitantes interdependentes. Uma das maiores causas de morte dos corais é o branqueamento, que pode ter origem em doenças, aquecimento global (ou outras condições ambientais precárias) e poluição (Kershner).

Mais de 50% da alimentação de tartarugas marinhas é constituída por coralimorfários (Almeida, 2012; 13), o que torna as Corynactis suas presas. Por outro lado, existe a influência negativa das algas foliosas, as quais podem reduzir drasticamente a captura de alimento, por desviarem o fluxo de partículas e provocarem a retracção dos pólipos (Almeida, 2012; 14).

Origem e evolução

Os Cnidários representam o grupo de animais mais antigos e os primeiros a revelar uma espécie de inteligência e movimento – através da rede nervosa que possuem (não possuem cérebro), que interliga neurónios.

Cnidarian_relationships

“In general, invertebrates have evolved from single-celled forms (protozoans) through colonial forms (cnidaria -corals), to true multicellular forms such as shrimps. The trend in evolution also included a change in body symmetry – from radial to bilateral. In this order of ever increasing complexity, the worm phyla was the earliest group to produce important features of advanced design.” (Marine Animals)

Os corais têm dois eixos, são bilaterais, como também apresentam simetria radial – “biradial”. A teoria que prevalece sobre a evolução dos Cnidários consiste num antepassado comum a Cnidários e Bilaterianos (incluindo os homens), que já tinha evoluído para um corpo bilateral. Para além disso, os corais possuem genes mesodermais, constituintes de uma camada de tecido embrionário – mesoderme -, a qual os corais não possuem. Conclui-se, desta teoria, que o desenvolvimento morfológico dos corais foi interrompido ao longo da sua evolução (Wijgerde, b).

http://www.mbl.edu/news/press_releases/pdf/nematostella_backgrou

Segundo o documentário “Cnidarians” de Sea Studios Foundation, a evolução natural dos pólipos de Cnidários deu origem às medusas/águas-vivas. Hoje em dia esta evolução continua a ser evidente, pois o nascimento e desenvolvimento de uma água-viva passa pela fase de pólipo, ou melhor, nasce dele e torna-se um organismo independente e móvel (ao contrário do pólipo progenitor).

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Almeida, Jonathan Villela (2012). Espécies de Corallimorpharia (Cnidaria: Anthozoa) no Brasil. [Dissertação de Mestrado na área de Zoologia apresentada no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.] São Paulo: 2012.

Chadwick, Nanette E. (1987). «Interspecific agressive behavior of the Corallimorpharian Corynactis californica (Cindaria: Anthozoa): effects on sympatric corals and sea anemones.» in Biological Bulletin (1987). Vol. 173, No. 1. Marine Biological Laboratory; 110-125 pp.

Earth History (2012). Mysteries of the cnidarians.  <http://www.earthhistory.org.uk/corals-and-jellies&gt;

Haussermann, Verena  and Forsterra, Gunter (2005). «Distribution patterns of Chilean shallow-water sea anemones (Cnidaria: Anthozoa: Actiniaria, Corallimorpharia), with a discussion of the taxonomic and zoogeographic relationships between the actinofauna           of the South East Pacific, the South West Atlantic and the Antarctic.» in Arntz, W.E.,   Lovrich,  G.A. and Thatje, S. (eds.). Scientia Marina. [subtítulo: «The Magellan-Antarctic connection: Links and frontiers at high southern latitudes.»] No. 69, suplemento 2. 91-102 pp.

Holts, L.J. and Beauchamp, K.A. (1992). «Sexual reproduction in the corallimporpharian sea anemone Corynactis californica in a central California kelp forest.» in Marine Biology  (1993). Vol. 116, No. 1. Springer-Verlag; 129-136 pp.

Kershner, Jessie (s.d.). « Aiptasia reveals new mechanisms of coral bleaching.» in Coral Science (2009). <http://www.coralscience.org/main/articles/symbiosis-4/aiptasia-a-bleaching&gt;

Langstroth, Lovell and Langstroth, Libby (2000). A Living Bay: The Underwater World of Monterey Bay. California: University of California Press; 287 pp.

Levenbach, Stuart (2007). Community-wide Ramifications of an Associational Defense on    Shallow Rocky Reefs in Southern California. [Tese de Doutoramento na área de Filosofia em Ecologia, Evolução e Biologia Marinha apresentada na Universidade de Califórnia]. ProQuest; 147 pp.

McCloskey, Bryan (s.d.).  Illustrated Glossary of Sea Anemone Anatomy: Entire Body Cross Sections. <http://web.nhm.ku.edu/tol/glossary/entirebodycross.html&gt;

Oppegard, SC, Anderson, PA, Eddington, DT (2009). Puncture mechanics of cnidarian cnidocysts: a natural actuator. <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19785761&gt;

Rose, Alex (s.d.). «Coral taxonomy.» In Coral Science (2009).     <http://www.coralscience.org/main/articles/taxonomy-2/coral-taxonomy&gt;

Van Der Weijden, Sander (s.d.). «Chemical defense mechanisms.» in Coral Science (2009). <http://www.coralscience.org/main/articles/biochemistry-2/chemical-defense-mechanisms&gt;

Wijgerde, Tim (s.d, a). «Coral Immunology» in Coral Science (2009). <http://www.coralscience.org/main/articles/immunology-1/coral-immunology&gt;

Wijgerde, Tim (s.d, b). «The coral body plan» In Coral Science (2009).                  <http://www.coralscience.org/main/articles/development-5/coral-body-plan&gt;

Wijgerde, Tim (s.d, c). «Modelling coral growth.» In Coral Science (2009). <http://www.coralscience.org/main/articles/development-5/modelling-coral-growth&gt;

Wijgerde, Tim (s.d, d). «How corals feed.» In Coral Science (2009).  <http://www.coralscience.org/main/articles/nutrition-6/how-corals-feed&gt;

MrZubeTuber (2012). Cnidaria discussion. [Vídeo] < http://www.youtube.com/watch?v=Vu6i3K4iUgk >

Para a lista completa de referências contactem-me.

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Poster do 1º semestre

http://maryanakruk.fbaul-dcnm.pt/poster_1/

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Experiência museológica

A visitor to the New Museum walks through the "Carsten Holler: Experience," exhibition at the museum on December 14, 2011 in New York City.  The show, which has been called an art world amusement park, includes a 102-foot slide that corkscrews down from the fourth floor to the second; an installation of flashing lights that is supposed to make you hallucinate and a sensory-deprivation tank that is meant to resemble the Dead Sea.

Escorrega no museu New, 13 de Dezember, 2011. Fonte: Spencer Platt/Getty Images North America.

Apesar do conceito da arte ser (como sempre foi) muito ambíguo, hoje deparámo-nos com uma quase inexistência do conceito ou então uma ambiguidade ainda mais … ambígua.  O que é a arte? Será possível ser tudo? Há várias décadas que a arte perdeu um conceito conciso e com ele a identidade do autor, o qual passou demasiado tempo a lutar pela sua individualidade e o seu reconhecimento como criador de artefactos únicos.

Os museus eram os últimos locais de culto prestado à arte, os seus refúgios da cultura industrial e consumista. Eram os santuários onde se podia perder horas em contemplação meditativa de uma obra. E os objectos de design ganharam, também, o privilégio de serem colocados em pedestais e paredes de galerias e museus. Museus como o MoMA seguiram à risca o seu comprometimento de adoptar peças contemporâneas. Mas o que são estas peças hoje em dia?

Este é um dos problemas destes espaços – o que devem aceitar e o que não devem, obras contemporâneas vão desde os quadros de expressionismo abstracto, passando pelo fluxus, por peças de imobiliário ou utensílios de cozinha, como também obras digitais e multimédia (exemplo: vídeo arte, net.art). É fantástico ver uma mudança/evolução das “mentalidades” dos museus, no entanto torna-se fulcral questionar quais os objectos que merecem o seu reconhecimento e a contemplação do público, mesmo dentro das próprias áreas da arte contemporânea. “(…) a museum should be the place of meditation, a guarantee of distilled quality” (Antonelli, 2009: p. 8).

Mas nós não vivemos numa época de contemplação, mas sim de vislumbres rápidos e “escorregadios” (Storr, 2010). A maioria dos objectos (materiais ou não) nas galerias exigem uma interacção e participação activa do público e acabam com o tempo e o espaço contemplativo. Numa altura em que “tudo é arte” (Weibel, 2006) estes espaços transforma-se quase em montras – as pessoas passam pelas obras sem prestar demasiada atenção a não ser que algo lhes desperte a atenção, como uma imagem em movimento (vídeo) ou um artefacto estranho (no contexto do espaço museológico). Os museus descem para um patamar em que os seus concorrentes, segundo Weibel, são da indústria do entretenimento e, portanto, tentam atrair o maior número de pessoas possível.

Isto não parece de todo, uma instituição clássica, educacional, cultural e do conhecimento. Parece-me importante definir o que cada instituição (museológica) pretende transmitir, de modo a não se perder o clássico na mistura com o moderno ou contemporâneo. São tempos de observação diferentes. Então deve-se separar os espaços segundo o tipo de observação predominante (contemplativa, activa), evitando assim interrupções da contemplação ou momentos “mortos” na acção?

A Gallery One, do Museu de Arte de Cleveland é um excelente espaço dedicado à tecnologia e arte e à primeira vista aparenta procurar uma harmonia entre estas duas vertentes, socorrendo-se da tecnologia em função das obras de arte clássicas (contemplativas). No entanto, visto que é um espaço onde a tecnologia prevalece e o seu uso é constante durante a experiência museológica, o espaço segue uma lógica de observação mais activa, que conduz a uma maior disrupção do acto contemplativo.

A galeria tem uma índole activa, participativa e informativa, na medida em que oferece ao público uma forma imediata (através da Realidade Aumentada) de obter mais informação sobre uma peça, quebrando assim o olhar contemplativo sobre a mesma. Este espaço pode ser encarado, também, como um ponto de consumo virtual, de imagens digitais de obras de arte. No mural que contém milhares de imagens digitais, os indivíduos podem escolher as imagens que mais gostam e transferi-las para o seu dispositivo móvel  com um simples gesto, como se de um cesto de compras se tratasse.

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ANTONELLI, Paola (2009). “Evolution: The Future of Museum Collections of Design” in Everything design: the collection of the Museum für Gestaltung Zürich. Ostfildern: Hatje Cantz.

STORR, Robert (2010). “Art Space”.  Frieze, March. Disponível em http://www.frieze.com/issue/article/art_space/.

WEIBEL, Peter (2006). “The Museum of the Future” In Basar, S.; Miessen, M. (eds.) Did Someone Say Participate? An Atlas of Spatial Practice. Cambridge: MIT Press; pp. 173-186.

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Lisboa “manchada”

Trabalho de grupo realizado por Carolina Sacoto e Maryana Kruk

Problema: O número de prédios devolutos em Lisboa (desocupados por mais de um ano), tem vindo a aumentar de ano para ano, havendo já quase 5 mil. Este é um  problema cada vez mais urgente, pois para além de afectar a paisagem da cidade, alerta-nos para a crise em que vivemos nos dias de hoje, uma vez que os proprietários ficam sem recursos para remodelar os prédios em mau estado ou os residentes para pagar as rendas. As leis das rendas também não ajudam neste aspecto, não deixando muita margem para obras e manutenção mas, por outro lado, houve uma grande deslocação da população para os subúrbios da cidade, pelos preços elevados, deixando o centro com muitas casas vazias e sem terem em vista perspectivas de arrendamento ou compra. Perigos tais como incêndios são, pois, eminentes.

Uma vez que não nos é possível agir localmente nem sugerir nenhuma solução para esta questão, que seja por nós executada, decidimos propor uma plataforma digital que tem o objectivo de informar as pessoas desta problemática que se sente na cidade de Lisboa, apesar de acontecer também um pouco por todo o país.

Objecto: Pretende-se criar uma plataforma online, de acesso livre a qualquer internauta, com informação actualizada dos edifícios/espaços abandonados em Lisboa. A informação poderá ser visualizada num contexto restrito —por freguesia—  de modo a facilitar a leitura dos dados, como também aproximar o utilizador desta realidade, ao visualizar os dados da sua área de residência, ou no contexto geral da cidade de Lisboa. O trabalho visa abranger toda a população portuguesa, residente ou não em Lisboa, de modo a sensibilizar a população para o grande problema do abandono de habitações e outros espaços. Podendo evitar novas situações similares.

A ideia é confrontar o utilizador com dados relativos ao espaço que o rodeia. Assim, terá de ser o próprio a escolher uma freguesia, acedendo à sua respectiva “mancha” e, só posteriormente, irá ser-lhe dada a opção de escolher a vista geral de Lisboa. Espera-se, portanto, que o utilizador fique mais perturbado com o facto de pesquisar a sua área de maior interesse, que à partida será a da sua área de residência, e se sinta mais preocupado com problema. Procura-se, então, criar uma ferramenta interactiva que permita ao utilizador ser mais activo e explorar as manchas “abandonadas” do concelho.

Estrutura: O site irá recorrer a uma abordagem gráfica dos dados (data visualization), com “manchas”, de modo a enfatizar a problemática e facilitar a leitura e compreensão da informação e provocar um maior impacto nos indivíduos. Para conseguir uma maior sensibilização das pessoas, na página inicial o utilizador será confrontado com uma frase aleatória sobre uma causa do abandono ou um dos perigos que estes espaços apresentam para o espaço público, bem como um campo para escolher a freguesia e uma opção para ver o propósito do projecto. O intuito destas frases é transmitir uma mensagem directa e objectiva, (exemplo: “50% dos prédios devolutos encontram-se infestados de ratos.”) Depois da freguesia escolhida o utilizador é levado para uma segunda página com o respectivo mapa e a sua legenda, bem como a opção de ver o mapa geral de Lisboa e a informação acerca do projecto. A plataforma apresentar-se-á ao utilizador como um espaço limpo, apenas com a informação essencial.

Recolha e apresentação de dados: Os dados utilizados serão os disponíveis no documento de prédios devolutos da Câmara Municipal de Lisboa (o último que encontrámos foi actualizado no final de 2009, com 4689 entradas). Iríamos tentar obter o último levantamento feito junto da Câmara Municipal de Lisboa. Este documento fornece dados relativos à freguesia e morada exacta, como também o tipo de proprietário, tipo de ocupação e o código SIG.

No entanto, a informação disponibilizada ao internauta será a mesma do documento da CML, excluindo os códigos SIG. Os dados serão actualizados sempre que houver um novo levantamento da informação por parte da Câmara, visto nós não termos meios para o fazer.

Tipo de propriedade do espaço devoluto:

     – privado

     – do Estado

     – individual

     – sem informação.

Tipo de ocupação do espaço:

     – totalmente devoluto

     – parcialmente devoluto.

Exemplos visuais:

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1MtWUfVXz-DmXVNhsPwhgV5yPFDFTJ5Tg--eTwA

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Tretas.org. Prédios Devolutos Lisboa
http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa#Localiza.2BAOcA4w-o_dos_Pr.2BAOk-dios_Devolutos

Ribeiro, Luís (2013).  Lisboa abandonada: quase 5 mil edifícios devolutos. Visão verde.
http://visao.sapo.pt/lisboa-abandonada-quase-5-mil-edificios-devolutos=f721893#ixzz2qUIyCNFX

Instituto Nacional de Estatística – Censos.
http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos2011_apresentacao

 

Referência de projectos
Cruz, Pedro Miguel (2013). Um ecosistema: político-empresarial
http://pmcruz.com/eco/

Chu, Tony. Tangled Webs of Influences. MFA Interaction Design.
http://interactiondesign.sva.edu/people/project/tangled-webs-of-influence

Fisher, Max (). 40 more maps that explain the world. The Washington Post.
http://www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2014/01/13/40-more-maps-that-explain-the-world/

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Thinking? E onde está o design?

Fases do design thinking. Gráfico de Renan Braga.

Fases do design thinking. Gráfico de Renan Braga.

O que pensamos quando ouvimos “design thinking”? Pensamento do design? Será uma filosofia do design? Serão os processos de design?

Após uma primeira leitura dos artigos de Ricardo Morais no Público e de Bruce Nussbaum no Fast Company, ainda não tinha encontrado a resposta, no entanto o primeiro fala sobre design thinking como “uma nova forma de pensar e de inovar” e o segundo vê o design thinking como obsoleto e até propõe um novo “pensamento”.  Ambos falam da importância do design thinking para a sociedade e o homem. Depois de investigar e reflectir sobre o assunto, apercebi-me que o mais importante aqui é perceber o que é o design e qual a sua importância neste “pensamento”.

No artigo “A Revolução do Design Thinking”, Morais faz um resumo das suas leituras acerca do tema, expondo o design thinking por meio de cinco metáforas. Sendo a primeira, lógica – pensamento analítico e intuição; seguindo-se de sistema – equilibra a desejabilidade humana com  a possibilidade técnica e a viabilidade económica;  processo – passa pelas fases da inspiração, ideação e implementação; inovação – permite projectos que actualizam o mercado actual e, que criam novas ofertas para o utilizador actual ou que adaptam o mercado e, que criam novas ofertas para o utilizador novo; por fim a última metáfora, organização – necessita do compromisso da gestão de topo e co-criação de novos métodos de solucionar os problemas.

Conclui, que o design thinking é “uma nova forma de pensar e de inovar que promete revolucionar a forma como indivíduos, organizações e comunidades resolvem os seus problemas” (Morais, 2013). No seu segundo artigo sobre o tema, depois de ter participado num desafio de design thinking, conclui que este “pensamento” resulta da combinação entre investigação, acção e arte, e que devia denominar-se de “design thinking, dooing [siq] and feeling”.

A experiência de Morais, permitiu-lhe perceber a relevância do design thinking, como se pode verificar de forma clara em projectos de design social, apesar de não procurar o rigor científico. Este processo é válido por si e é importante na medida em que pode ser utilizado nas mais diversas áreas e por equipas diferentes às do design. Ou seja, é um processo ou lógica de condução de um projecto que aparenta ser simples para gestores, marketeers, etc.

Post it de uma sessão de brainstorming, conduzida por Steve Rogalsky.

Post it de uma sessão de brainstorming, conduzida por Steve Rogalsky.

A verdade é que não é tão simples, o design thinking começou por ser implementado de forma consciente e completa, surtindo assim os resultados de um bom trabalho de investigação, dedicação ao problema e feedback. Entretanto o processo foi simplificado e “vendido”, transformado em mais um processo linear, uma moda. Ficando assim fragilizado, tanto a nível de eficácia, quanto do seu valor. “Design consultancies that promoted Design Thinking were, in effect, hoping that a process trick would produce significant cultural and organizational change.” (Nussbaum, 2011).

Pelo que parece, na maioria dos casos, apenas os designers têm maturidade para usar este processo, pois quem não é da área não tem presente a parte do design, que para mim é crucial neste processo. Suponho que as empresas que querem adoptar o design thinking, mas que não têm a consciência do que é o design ou o que significa fazer design, vêem  “design” como algo moderno e o “thinking” como a linha de pensamento que se deve seguir. Se não estiver enganada quanto à esta suposição, então estas entidades foram induzidas em erro e talvez deviam ser elucidadas.

O design não é apenas uma denominação para um objecto bonito ou para uma ferramenta num processo  de procura de soluções, o termo representa o processo em si, uma forma de pensar e encontrar soluções, quer sejam conceptuais ou materiais. No entanto, não pode ser encarado de forma linear e rígida, pelo contrário segue uma lógica flexível e maleável para responder às necessidades de diversos campos e soluções. Esta lógica ou processo tem sido utilizado desde o século XV ou até mais, ao contrário do design thinking, que surgiu no início do século XXI, associado ao livro publicado por Peter Rowe em 1987. Talvez este conceito ajudou a traduzir o que é design para outras áreas, no entanto pelo caminho perdeu-se o significado e a importância do mesmo.

Penso que não é uma “nova forma de pensar”, pelo menos não para os designers, apenas para quem está fora do mundo do Design. De facto contribuíu para que o design se tornasse consciente de sistemas (system-conscious) e fosse implementado nas problemáticas sociais, mas este parece ser o único caso relevante de sucesso, onde não deixaram o design de parte, aliás criaram uma nova vertente – Design Social.

Nussbaum, acredita que o design thinking está obsoleto e que devíamos partir para outro caminho, o de “medir” a criatividade, o que quer que isso signifique. Mas penso que não se deve desistir deste pensamento e incutir mais um para de seguida tornar-se, também, obsoleto. O design thinking pode triunfar desde que os indivíduos e entidades que o irão implementar sejam consciencializados e formados de forma correcta acerca  do design.

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-MORAIS, Ricardo. “A Revolução do Design Thinking.” Público, 24/07/2013. http://www.publico.pt/economia/noticia/a-revolucao-do-design-thinking-1601137


– MORAIS, Ricardo. “A Revelação do Design Thinking.” Público, 23/10/2013. http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-revelacao-do-design-thinking-1610048


– NUSSBAUM, Bruce. “Design Thinking Is A Failed Experiment. So What’s Next.” FastCompany, 05/04/2011. http://www.fastcodesign.com/1663558/design-thinking-is-a-failed-experiment-so-whats-next


– PATNAIK, Dev. “Forget Design Thinking and Try Hybrid Thinking.” FastCompany, 25/08/2009. http://www.fastcompany.com/1338960/forget-design-thinking-and-try-hybrid-thinking


– Dicioário online Merriam Webster. http://www.merriam-webster.com/dictionary/design


Teaser do filme “Design & Thinking”, 2012. http://designthinkingmovie.com


– Design is History. http://www.designishistory.com

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Taschen “New Media Art” [recensão]

Livros da Taschen.

Livros da Taschen.

Taschen – editora de livros de arte -, oferece aos seus leitores livros sobre arte, como também livros que podem ser considerados, eles próprios, objectos de arte. Desde livros de bolso, passando pelos tamanhos mais comuns, a livros de meio metro a pesar dez quilos com um cavalete para a sua disposição. Qualquer que seja o tamanho, este não prejudica a qualidade das imagens e do design. Estes livros podem ser colectâneas de obras (de design, arquitectura, moda, fotografia), podem dedicar-se totalmente a um estilo ou vertente artística ou a um artista ou, até mesmo, de temas controversos como  a sexualidade (exemplos: “The Big Book of Breasts 3D”[1], “The Big Penis Book”[2]). Todas estas publicações dão ênfase à imagética, restringindo os textos ao essencial, de uma forma muito sumária, mas bem feita.

Howard L. Bingham com o livro GOAT. Fotografia de Brian Malloy, Março 2004.

Howard L. Bingham com o livro GOAT. Fotografia de Brian Malloy, Março 2004.

Mark Tribe e Reena Jana, foram os autores escolhidos para escrever o livro sobre new media art. Fornecendo assim dois pontos de vista sobre o tema, um olhar artístico de Tribe e um olhar mais crítico e reflexivo de Jana. Tribe é um artista e curador, quem fundou um dos projectos mais importantes para a new media art – Rizhome -, uma organização online de divulgação, crítica e preservação de práticas artísticas das novas tecnologias. Jana, por outro lado, é uma jornalista, crítica e editora, cujos temas são a inovação e o design, com  especial interesse em culturas e tecnologias emergentes.

O livro por eles escrito, “New Media Art” (2006), começa com uma contextualização do estado da arte da new media art sob o título de “A arte na era da distribuição digital”, acompanhada de imagens de alguns dos trabalhos referidos no texto. No fundo da página, em rodapé, são expostos os acontecimentos políticos, sociais e culturais mais importantes da altura, de forma cronológica. A contextualização, ou introdução do livro, é dividida em 13 partes, das quais as primeiras identificam o início do movimento e os antecedentes históricos (Antecedentes da história da arte; A New Media Art como movimento; Princípios), passando pelas diferentes fases e vertentes do movimento, como também, pelas suas preocupações (Colaboração e participação; Da apropriação ao código aberto; Paródia corporativa; «Hacking» e «hacktivismo»; Intervenções; Identidade; Telepresença e vigilância), chegando à aceitação e reconhecimento e à questão da preservação desta arte (O abraço institucional; Iniciativas independentes; Coleccionar e preservar New Media Art).

Este texto fornece bastante informação sobre as datas, trabalhos e artistas da New Media Art e consciencializa o leitor para a panóplia de obras que se enquadram no gênero. Os trabalhos vão de instalações de câmeras para captação de imagem durante longos períodos de tempo (One year performance video[3], 2001[4]), passando por trabalhos de apropriação como o Super Mario Clouds[5], que consiste na remoção de quase todos os elementos gráficos num trabalho alheio e a exposição do mesmo como se fosse uma obra de arte nossa, até obras tão complexo como a criação de uma interface digital online, que permite a vários utilizadores carregar faixas de som, controlar o volume e construir uma composição colectiva (Glasbead[6]) ou uma instalação interactiva mais física, que lança um foco de luz e um feixe de som direcional, através de um sistema automatizado, para um alvo escolhido por internautas (ACCESS[7]).

Depois da introdução, o resto do livro ilustra algumas das obras da new media art com uma imagem de página inteira e um texto descritivo na página ao lado. Todas as obras estão identificadas com nome do artista ou colectivo, a data, o título, os recursos, as palavras-chave e o site. Ao longo do livro e através dos exemplos apresentados, torna-se evidente a tendência destas obras – apropriação de obras alheias, promoção da colaboração e participação, partilha de peças ou recursos (como o código) e os temas mais abordados podem ser resumidos em identidade (real ou construída – ficcional), privado vs público (vigilância e exposição, quer de indivíduos comuns, quer de organizações e figuras públicas) e questões políticas e culturais (por exemplo a questão das fronteiras entre países).

Páginas 34 e 35 do livro New Media Art.

Páginas 34 e 35 do livro New Media Art.

“New Media Art” é de facto um livro bonito com qualidade de impressão e facilidade de leitura e compreensão por qualquer indivíduo. Pode ser visto como uma boa introdução e divulgação deste gênero artístico. No entanto não traz grande valor para o mundo académico, a não ser a nível  de catalogação das obras (35 no total, não incluindo as obras referidas no texto), artistas e datas. Para alguém da área, esta publicação pode servir de índex de obras para posterior exploração e pesquisa, ou uma consulta rápida dos recursos utilizados para um certo tipo de trabalho.

Enquanto que este livro apresenta um breve apanhado da história, contextualização e identificação da new media art, livros como “New Media: A Critical Introduction”, apesar de não se focarem na arte dos novos media, expõem uma maior pesquisa e reflexão acerca dos mesmos, dando ao leitor uma visão mais aprofundada e alargada destes meios e das suas implicações na sociedade. Este, sim, é um livro de carácter mais sério e académico, no entanto é um livro entediante para outro tipo de público, o que faz de “New Media Art” um elemento importante para a cultura, uma vez que é acessível a qualquer público, dando a conhecer este movimento a maioria da população e ainda representa o reconhecimento de um estilo artístico próprio dos novos media.



[1] The Big Book of Breasts – livro de Dian Hanson, 2011.
[2] The Big Penis Book – livro de Dian Hanson, 2008.
[3] One year performance vídeo – performance registada e transmitida online de MTAA, 2004-2005.
[4] 2001 – obra de new media art que acidentalmente captou o atentado às torres gêmeas, do artista Wolfgang Staehle, 2001.
[5] Super Mario Clouds – obra de new media art de Cory Arcangel, 2002.
[6] Glasbead – obra de new media art de John Klima, 1999-2000.
[7] ACCESS – instalação interactiva de Marie Sester, 2003.

– CARBONE, Ken. Unify, Simplify, Amplify: How Taschen Continues to Provoke. Fast Company, 2011. http://www.fastcodesign.com/1665057/unify-simplify-amplify-how-taschen-continues-to-provoke, acedido a 3 de Janeiro, 2013.

– CARSWELL, Beth. The Gorgeousness of Taschen. AbeBooks.com.  http://www.abebooks.com/books/beautiful-art-photography-design-publications/taschen-publishing.shtml , acedido a 3 de Janeiro, 2013.


– DIETZ, Steve. Collecting New Media Art: Just Like Anything Else, Only Different.  NeMe, 2006. http://www.neme.org/524/collecting-new-media-art, acedido a 6 de Janeiro, 2014.


– TRIBE, M., JANA, R. New Media Art. Taschen, 2006. ISBN 978-3-8228-4796-1.

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