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Em Inventing the Medium, Janet H. Murray preocupa-se em definir um único media – o media digital, em vez de olhar para “new media” com pluralidade. A autora encapsula os novos media num meio digital, computacional com as seguintes características:

“procedural, participatory, encyclopedic, and spatial”1

Por outro lado, Lev Manovich, em New Media From Borges to HTML, sobressalta a importância da separação dos conceitos de novos media e cibercultura.

“cyberculture is focused on the social and on networking; new media is focused on the cultural and computing”2

Enquanto Lev Manovich procura definir melhor os novos media, apontando diversos exemplos históricos e com a ajuda destes mostrando também o processo de aceitação dos novos media, Janet Murray apresenta-nos esse processo de aceitação através das visões  opostas de engenheiros e humanistas.

Depois da leitura de ambos os textos, verifica-se uma resignação geral (pela maior parte da sociedade, excluindo os engenheiros e outros envolvidos na criação do meio) em aceitar qualquer novo meio aquando do seu aparecimento, no entanto a sua apreensão pode ser mais rápida ou mais lenta, mais fácil ou mais difícil, segundo princípios culturais, políticos e económicos. Estes factores podem, também, levar um país/continente a sobrepor-se a nível tecnológico e social sobre outros. Como exemplo, Lev Manovich aponta:

“in Europe generous federal and regional funding allowed not only for mountings of sophisticated exhibitions but also for the development of a whole new form of art: the interactive computer installation.”3

É de sublinhar, também, a ideia que Lev Manovich tem dos cientistas computacionais – estes são os verdadeiros artistas dos novos media. Mas é necessário não esquecer-nos do papel do designer no desenvolvimento dos mesmos media. São os designers que projectam as interfaces e tornam a compreensão da informação/mensagem mais eficaz. São eles que permitem “say more complicated things to more people with greater understanding” (Janet Murray). Como exemplo temos uma das cidades mais legíveis do mundo, London Legible City.

No final do texto Inventing the Medium surge um grande problema sobre o qual os designers deveriam, na minha opinião, debruçar-se nos próximos anos, senão décadas. O problema consiste na “promessa” que ainda não foi cumprida:

“The promise is that we will not be crushed by our own knowledge, as the writers at the beginning of this period anticipated, because we will organize it together in a vast distributed and synchronized effort.”

O que se verifica na actualidade é exactamente o oposto, somos constantemente bombardeados por uma torrente de informação, sobre a qual pouco controlo detemos. Esta torrente resulta da possibilidade que todos os utilizadores web têm – ser produtores e consumidores, ao mesmo tempo, de conteúdo/conhecimento, 24 horas por dia, 7 dias por semana, em qualquer parte do mundo.

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1– Janet H. Murray em Inventing the Medium, in The New Media Reader.
2– Lev Manovich em New Media From Borges to HTML, in The New Media Reader.
3New Media From Borges to HTML.

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