Post #1 Kaprow & Turing

Nos anos 1950s e 60s, artistas como Allan Kaprow organizavam as primeiras “instalações” e performances, designadas de “Happenings”. No texto “Happenings” in the New York Scene, de Kaprow, explora-se e/ou defende-se a ideia de que os happanings conseguiam quebrar barreiras entre o espectador, o criador, o actor e a pórpria obra, pois tinham lugar num ambiente aberto ao público, ou seja, aberto à sua participação e imersão no espaço ou obra.

 Os “habitats”, locais e ambientes em que é inserida a obra, permitem uma experiência e percepção completamente nova para o espectador.

“I think that today this organic connection between art and its environment is so
meaningful and necessary that removing one from the other results in abortion.1

Nos anos 80, Jay Conrad Levinson publica um livro revolucionário para os marketeers, introduzindo o conceito de Marketing Guerrilha. Este tipo de publicidade pode ser relacionado com os happenings dos 60s, na medida em que são ambos acontecimentos/eventos efémeros e estão fortemente ligados ao local onde decorrem. É neste lugar que tudo acontece e é apenas aqui que as pessoas podem assistir ou participar, mesmo que haja uma repetição nunca será igual, terá, pelo menos, outro público envolvido.

Apesar de hoje em dia  tudo ser registado e postado na internet posteriormente, estas experiências não podem ser passadas através dos social media, e serão sempre únicas. John Anderson demonstra a vantagem deste tipo de marketing sobre o tradicional, no site da Creative Guerrilla Marketing.

Num segundo texto – Computing Machinery and Intelligence, Alan Turing coloca uma questão quanto à inteligência dos computadores e à sua capacidade de “pensamento”.

Por um lado, o indivíduo/público, segundo Kaprow, encontrava-se no mesmo espaço e ao nível de qualquer meio (tradicional ou não) usado na obra. Por outro lado, Turing revela-nos um desconforto entre o indivíduo e a máquina, questionando a inteligência da última e pondo em causa a superioridade do homem.

Actualmente, ao contrário do desconforto de Turing, todos nós possuímos um pequeno dispositivo que nos segue para todo o lado, é multifunções e processa uma quantia gigantesca de informação muito mais rápido que qualquer indivíduo. Tornámo-nos tão inseparáveis e à vontade com estes dispositivos que Simon Bond atribui nomes aos vários ecrãs, denominando “the lover2” aos nossos telemóveis.

Mas talvez foram trabalhos como os happenings de Kaprow, e outros, que ajudaram o homem a aceitar novos meios e novos modos de pensar e  interagir. Agora vejo o designer, também, como um mediador entre utilizador e máquina ou media, o seu papel inclui criar um bom produto (hardware/software) que continue a proporcionar uma experiência confortável ao utilizador.

Como exemplo relativamente recente temos as impressoras 3D, que trazem possibilidades revolucionárias para a indústria, a medicina e práticas ilegais.

1– Allan Kaprow em “Happenings” in the New York Scene, in The New Media Reader.

2Meet the Screens, de Simon Bond.

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