Post#1 Kaprow & Turing (actualizado)

Sistema imersivo CAVE para ambientes de RV. Fotografia de Dave Pape.

Nos anos 1950s e 60s, artistas como Allan Kaprow organizavam as primeiras instalações  e performances, designadas de “Happenings”. No texto “Happenings” in the New York Scene(1), de Kaprow, explora-se e defende-se a ideia de  que os happanings conseguiam quebrar barreiras entre o espectador, o criador, o actor e a pórpria obra, pois tinham lugar num ambiente aberto ao público, ou seja, aberto à sua participação e imersão no espaço ou obra.

Os “habitats”, locais e ambientes em que é inserida a obra, permitem uma experiência e percepção completamente nova para o espectador, diferente da experiência convencional do teatro. Permite ao público agir e interagir.

“I think that today this organic connection between art and its environment is so meaningful and necessary that removing one from the other results in abortion.“ (1)

O texto Computing Machinery and Intelligence(2), de Alan Turing coloca uma questão quanto à inteligência dos computadores e à sua capacidade de “pensamento”. Mais especificamente, o autor do teste de Turing tenta perceber se é possível uma interacção homem-máquina, em que o primeiro julgue que interage com outro humano.

Ambos os textos (de Turing e de Kaprow) abordam a questão da interacção. Kaprow mostra-nos uma forma de provocar interacção ou acção, num certo espaço/ambiente, que hoje podemos ver traduzida nos vídeo jogos – requerem uma acção do utilizador para desencadear uma sequência de ocorrências, apresentam reacções e inserem-nos (visualmente) num ambiente específico. O texto de Turing sublinha uma ferramenta indispensável para que este tipo de interacção homem-máquina ocorra – a linguagem.

Portanto, uma das partes mais importantes do texto de Turing é a linguagem verbal dominada pela máquina.

“Turing’s paper was important not just in describing a “thinking” machine, but in describing an essentially linguistic computer that could converse fluidly.”(3)

Apesar das características da máquina denunciarem a sua natureza, não conseguindo enganar o homem, a tradução da linguagem computacional para a verbal (humana) torna a interacção entre os dois mais fácil e eficaz. Por outro lado, os computadores permitem também a geração de linguagem visual (gráficos), que cria espaços perante os quais o utilizador se encontra ou nos quais imerge. Assim a junção dos aspectos discutidos por Alan Turing – linguagem (na máquina) – e por Allan Kaprow – espaços/ambientes, foi crucial na realização de todo o tipo de interfaces digitais, como exemplo retomo os vídeo jogos e a Realidade Virtual.  

Aponto ainda um exemplo bem conhecido de tentativa de criar um software que ilude o homem quanto à natureza do seu interlocutor – Eliza. Experimentem e digam como correu o diálogo, qual foi a resposta/pergunta que denunciou de forma clara Eliza.   

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1-KAPROW, Alan. “Happenings” in the New York Scene. MONTFORT, Nick; WARDRIP-FRUIN, Noah (edit.). The New Media Reader. MIT Press: 2003. ISBN: 9780262232272. 

2-TURING, Alan . Computing Machinery and Intelligence. MONTFORT, Nick; WARDRIP-FRUIN, Noah (edit.). The New Media Reader. MIT Press: 2003. ISBN: 9780262232272.

3-MONFORT, Nick  (edit.). The New Media Reader. MIT Press: 2003.

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