“I share therefore I am”

No Ted Talk Alone Together, Sherry Turkle relembra-nos como há poucas décadas atrás, procurávamos tarefas para atribuir aos computadores e hoje acabámos por ter n possibilidades da sua utilização. Com a emergência de dispositivos móveis como os smartphones, passámos a ter esse mundo de possibilidades no nosso bolso, bem como o acesso à Internet.

Ou seja, estamos sempre ligados, não saímos do virtual mesmo quando desligamos o PC e saímos de casa. Turkle ressalta o facto de que nos tornámos viciados na conecção, em estar sempre online. A verdade é que, segundo Turkle, apesar de sentirmos uma urgência de ter sempre o telemóvel connosco e estarmos constantemente online para não perdemos a comunicação ou a partilha, fechamos a porta às comunicações presenciais. Quebrámos com o “eye contact” e portanto com as relações íntimas sociais, vivemos distraídos ou até mesmo abstraídos do mundo que nos rodeia.

Turkle apresenta o exemplo dos pais que vão buscar os seus filhos à escola, no entanto nem lhes dispensam um olhar familiar, carinhoso e acolhedor, ao invés, estão a seguir as suas mensagens electrónicas com o olhar. Imagine-se as repercussões que tais acções têm nestes indivíduos em crescimento. Há de facto uma competição entre a “tecnologia e as crianças”.

Por consequência, quer os adultos (pais), quer os jovens (filhos) vivem de forma solitária, mas conectados com o mundo inteiro. As vantagens desta forma de estar é que podemos partilhar com o mundo apenas aquilo que nos interessa, como as nossas vitórias e conquistas e esconder todas as derrotas. O problema que se apresenta é exactamente o facto de guardarmos essas derrotas e fracassos só para nós, passámos a lidar sozinhos com problemas que poderíamos ultrapassar mais facilmente se os partilhássemos e recebermos apoio de pessoas próximas.

Por fim, Turkle estabelece um objectivo para esta sociedade – “recomeçar” e “reclamar” a conversação/diálogo, para não estarmos mais só. Rachel Botsman acredita que vem aí uma grande mudança, uma revolução colaborativa. Uma sociedade de partilha, troca e colaboração. Enquanto que Turkle aborda as consequências sociais negativas das novas tecnologias, Botsman encontra uma forma muito positiva da utilização das mesmas (e das redes sociais). Esta aponta que existem várias startups que assentam na partilha e troca de bens materiais ou serviços, como por exemplo o Hey Neighbor, que permite aos vizinhos pedir favores e trocarem ou partilharem bens, serviços ou informação.

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A ideia do consumismo colaborativo é, não só “reciclar” os bens e prolongar o seu tempo de vida útil, como também de juntar de novo as pessoas, vizinhos ou desconhecidos e talvez recomeçar assim a conversção que Turkle anseia. Portanto, para além de trazer uma nova lógica de consumo e por consequência da indústria, altera também a forma como encaramos as redes sociais e os novos media.

Se antes, estávamos todos ligados globalmente, através da internet, mas desligados localmente, fisicamente das pessoas que nos rodeiam, agora temos novas formas de interagir com essas pessoas e conhecê-las  pessoalmente. Apesar da ideia de nos encontrarmos com estranhos possa ser um pouco controversa, já foi apresentada uma hipótese para evitar algum perigo ou risco de uma troca desigual –através da reputação.

Na palestra The Rise of Collaborative Consumption, Botsman fala-nos da forma como a reputação ajuda-nos a confiar no outro e esta reputação resulta, diz ela, de um vestígio de acções que todos nós deixámos na internet. Ora aqui se apresenta, a meu ver, o maior problema deste consumismo colaborativo, a nível social. Sabemos que tudo o que fazemos online é registado, mas não sabemos como é usado, este exemplo da reputação pressupõe, portanto, o uso de todo esse registo de forma a estabelecer um nível de confiança do qual somos merecedores. Assim, continuaremos a lutar contra a falta de privacidade e possivelmente adulterar esses dados. Então como podemos confiar na “reputação”?

Também Turkle faz-nos pensar nesta questão quando dá o exemplo de pessoas que omitem uma parte da sua vida para não transparecer o fracasso (principalmente para o mundo profissional ).

Numa entrevista com Bernard Stiegler (para a Danactu Resistance), o filósofo, também anuncia a emergência de um “novo mundo político, novo tempo, novo espaço”, um novo modelo industrial.

Stiegler ilustra a sua afirmação com exmeplos de software open source – Linux e Wikipedia – que permitem, também, a colaboração e contribuição. No entanto, para existir uma economia baseada neste modelo, devem ser encontradas formas de valorizar este trabalho economicamnete, por via diferente a da monetarização.

Para finalizar, é importante começar a introduzir todas estas questões na educação de modo a perceber como podemos alcançar, de facto, este “novo mundo”.

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