Responsabilidade no Design

Project H Design - "Hippo Roller Redesign"

Project H Design – “Hippo Roller Redesign”

Design Social – “The term is typically used to label the work of those designers and architects who focus on tasks born out of humanitarian and socio-political issues, but the term is deeply unsatisfying.” (Paola Antonelli, 2012)

John Thackara apresenta uma contextualização para o surgimento e importância do design social no início do seu livro “Plano B: O design e as alternativas viáveis em um mundo complexo” (2008). Refere que no início da era industrial a produção e tecnologia eram sinónimos de progresso, que inovador equivalia a “agregar tecnologia” (Thackara, 2008: 12).

Segundo Thackara a tecnologia tornou-se então, não apenas uma comodidade, como também uma forma de “transgressão” e “poluição” do espaço pessoal e trouxe a desumanização do trabalho. Uma vez que todas as tecnologias trazem consequências, nós, como designers, devemos reflectir sobre estas e como elas vão afectar o mundo. Aqui entra o design social, na medida em que somos maioritariamente responsáveis pelas consequências de qualquer processo de design e da informação resultante do mesmo (mensagem transmitida pelo objecto).

Quando nos deparámos com a desumanização do trabalho e questões tão sensíveis como a ecologia e sustentabilidade, é nosso dever projectar processos e objectos melhores e de forma legível e transparente. Nós temos o papel de “facilitadores da mudança” (Idem: 21). Para tal devemos tentar prever as consequências das nossas decisões e perceber como elas afectam a sociedade.

Paola Antonelli junta-se à visão de Thackara, dizendo que o processo de design deve preocupar-se com as relações, uma vez que estas são a sua “ferramenta mais poderosa”. Actualmente estas relações reflectem-se no design colaborativo – “the process of involving people in the design process with the aim of creating a better product or solution. (…) it is a method to create good design” (Davies, 2011).

IDEO criou, em 2010, uma plataforma que serve de exemplo desta prática – design colaborativo.

Thackara expõe algumas regras de “envolvimento para designers”, sendo que a regra número 2 fala-nos em fazer design para pessoas e não categorias. Se fecharmos os indivíduos em grupos, corremos o risco de atribuir estereótipos a cada grupo e como Chimamanda Ngozi diz “os estereótipos são incompletos” (2009). Ou seja, um estereótipo pode nos dar alguma(as) características de um certo grupo de pessoas (étnico, religioso, etário, etc.), mas não será completo ou específico o suficiente para tomarmos essa “informação” como fundamento para o trabalho do designer.

O design social, uma vez que se preocupa com os indivíduos, deve ter em consideração todas estas questões e explorá-las com a maior sensibilidade possível, de forma a possibilitar um processo ou sistema que se adeque o mais possível para a sua função e público.

Bengalas "No country for old men" de Lanzavecchia e Wai

Bengalas “No country for old men” de Lanzavecchia e Wai

Então, se todas as pequenas decisões do processo de desgin podem produzir boas e más consequências, será que devíamos permitir um design colaborativo e aberto a indivíduos? Decerto que esta prática vai trazer várias ideias inovadoras, no entanto os indivíduos não têm as mesmas preocupações, que os designer, presentes. O design colaborativo pode ser uma fantástica ferramenta de brainstorming para o design social, mas será que devemos permitir-lhe ser mais que isso? 

Fica aqui, também, um relato de uma experiência, de Adam Benzion, com crowdsourcing.

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– DAVIES, P.M. “The psychology of co-design?”. 2011. http://www.design-thinkers.co.uk/the-psychology-of-co-design/ , acedido em 27 de Novembro de 2013.

– THACKARA, John. “Plano B: O design e as alternativas viáveis em um mundo complexo”. 2008

– ANTONELLI, Paola. “States of Design 10: Social Design”. 2012. http://www.domusweb.it/en/design/2012/02/22/states-of-design-10-social-design.html , acedido em 25 de Novembro de 2013.

– ADICHIE, Chimamanda Ngozi. TED Talk “The danger of a single story”. 2009. http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html?awesm=on.ted.com_9s4i&utm_campaign=chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story&utm_medium=on.ted.com-twitter&utm_source=direct-on.ted.com&utm_content=ted.com-talkpage , acedido em 27 de Novembro de 2013.

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