Taschen “New Media Art” [recensão]

Livros da Taschen.

Livros da Taschen.

Taschen – editora de livros de arte -, oferece aos seus leitores livros sobre arte, como também livros que podem ser considerados, eles próprios, objectos de arte. Desde livros de bolso, passando pelos tamanhos mais comuns, a livros de meio metro a pesar dez quilos com um cavalete para a sua disposição. Qualquer que seja o tamanho, este não prejudica a qualidade das imagens e do design. Estes livros podem ser colectâneas de obras (de design, arquitectura, moda, fotografia), podem dedicar-se totalmente a um estilo ou vertente artística ou a um artista ou, até mesmo, de temas controversos como  a sexualidade (exemplos: “The Big Book of Breasts 3D”[1], “The Big Penis Book”[2]). Todas estas publicações dão ênfase à imagética, restringindo os textos ao essencial, de uma forma muito sumária, mas bem feita.

Howard L. Bingham com o livro GOAT. Fotografia de Brian Malloy, Março 2004.

Howard L. Bingham com o livro GOAT. Fotografia de Brian Malloy, Março 2004.

Mark Tribe e Reena Jana, foram os autores escolhidos para escrever o livro sobre new media art. Fornecendo assim dois pontos de vista sobre o tema, um olhar artístico de Tribe e um olhar mais crítico e reflexivo de Jana. Tribe é um artista e curador, quem fundou um dos projectos mais importantes para a new media art – Rizhome -, uma organização online de divulgação, crítica e preservação de práticas artísticas das novas tecnologias. Jana, por outro lado, é uma jornalista, crítica e editora, cujos temas são a inovação e o design, com  especial interesse em culturas e tecnologias emergentes.

O livro por eles escrito, “New Media Art” (2006), começa com uma contextualização do estado da arte da new media art sob o título de “A arte na era da distribuição digital”, acompanhada de imagens de alguns dos trabalhos referidos no texto. No fundo da página, em rodapé, são expostos os acontecimentos políticos, sociais e culturais mais importantes da altura, de forma cronológica. A contextualização, ou introdução do livro, é dividida em 13 partes, das quais as primeiras identificam o início do movimento e os antecedentes históricos (Antecedentes da história da arte; A New Media Art como movimento; Princípios), passando pelas diferentes fases e vertentes do movimento, como também, pelas suas preocupações (Colaboração e participação; Da apropriação ao código aberto; Paródia corporativa; «Hacking» e «hacktivismo»; Intervenções; Identidade; Telepresença e vigilância), chegando à aceitação e reconhecimento e à questão da preservação desta arte (O abraço institucional; Iniciativas independentes; Coleccionar e preservar New Media Art).

Este texto fornece bastante informação sobre as datas, trabalhos e artistas da New Media Art e consciencializa o leitor para a panóplia de obras que se enquadram no gênero. Os trabalhos vão de instalações de câmeras para captação de imagem durante longos períodos de tempo (One year performance video[3], 2001[4]), passando por trabalhos de apropriação como o Super Mario Clouds[5], que consiste na remoção de quase todos os elementos gráficos num trabalho alheio e a exposição do mesmo como se fosse uma obra de arte nossa, até obras tão complexo como a criação de uma interface digital online, que permite a vários utilizadores carregar faixas de som, controlar o volume e construir uma composição colectiva (Glasbead[6]) ou uma instalação interactiva mais física, que lança um foco de luz e um feixe de som direcional, através de um sistema automatizado, para um alvo escolhido por internautas (ACCESS[7]).

Depois da introdução, o resto do livro ilustra algumas das obras da new media art com uma imagem de página inteira e um texto descritivo na página ao lado. Todas as obras estão identificadas com nome do artista ou colectivo, a data, o título, os recursos, as palavras-chave e o site. Ao longo do livro e através dos exemplos apresentados, torna-se evidente a tendência destas obras – apropriação de obras alheias, promoção da colaboração e participação, partilha de peças ou recursos (como o código) e os temas mais abordados podem ser resumidos em identidade (real ou construída – ficcional), privado vs público (vigilância e exposição, quer de indivíduos comuns, quer de organizações e figuras públicas) e questões políticas e culturais (por exemplo a questão das fronteiras entre países).

Páginas 34 e 35 do livro New Media Art.

Páginas 34 e 35 do livro New Media Art.

“New Media Art” é de facto um livro bonito com qualidade de impressão e facilidade de leitura e compreensão por qualquer indivíduo. Pode ser visto como uma boa introdução e divulgação deste gênero artístico. No entanto não traz grande valor para o mundo académico, a não ser a nível  de catalogação das obras (35 no total, não incluindo as obras referidas no texto), artistas e datas. Para alguém da área, esta publicação pode servir de índex de obras para posterior exploração e pesquisa, ou uma consulta rápida dos recursos utilizados para um certo tipo de trabalho.

Enquanto que este livro apresenta um breve apanhado da história, contextualização e identificação da new media art, livros como “New Media: A Critical Introduction”, apesar de não se focarem na arte dos novos media, expõem uma maior pesquisa e reflexão acerca dos mesmos, dando ao leitor uma visão mais aprofundada e alargada destes meios e das suas implicações na sociedade. Este, sim, é um livro de carácter mais sério e académico, no entanto é um livro entediante para outro tipo de público, o que faz de “New Media Art” um elemento importante para a cultura, uma vez que é acessível a qualquer público, dando a conhecer este movimento a maioria da população e ainda representa o reconhecimento de um estilo artístico próprio dos novos media.



[1] The Big Book of Breasts – livro de Dian Hanson, 2011.
[2] The Big Penis Book – livro de Dian Hanson, 2008.
[3] One year performance vídeo – performance registada e transmitida online de MTAA, 2004-2005.
[4] 2001 – obra de new media art que acidentalmente captou o atentado às torres gêmeas, do artista Wolfgang Staehle, 2001.
[5] Super Mario Clouds – obra de new media art de Cory Arcangel, 2002.
[6] Glasbead – obra de new media art de John Klima, 1999-2000.
[7] ACCESS – instalação interactiva de Marie Sester, 2003.

– CARBONE, Ken. Unify, Simplify, Amplify: How Taschen Continues to Provoke. Fast Company, 2011. http://www.fastcodesign.com/1665057/unify-simplify-amplify-how-taschen-continues-to-provoke, acedido a 3 de Janeiro, 2013.

– CARSWELL, Beth. The Gorgeousness of Taschen. AbeBooks.com.  http://www.abebooks.com/books/beautiful-art-photography-design-publications/taschen-publishing.shtml , acedido a 3 de Janeiro, 2013.


– DIETZ, Steve. Collecting New Media Art: Just Like Anything Else, Only Different.  NeMe, 2006. http://www.neme.org/524/collecting-new-media-art, acedido a 6 de Janeiro, 2014.


– TRIBE, M., JANA, R. New Media Art. Taschen, 2006. ISBN 978-3-8228-4796-1.

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