Experiência museológica

A visitor to the New Museum walks through the "Carsten Holler: Experience," exhibition at the museum on December 14, 2011 in New York City.  The show, which has been called an art world amusement park, includes a 102-foot slide that corkscrews down from the fourth floor to the second; an installation of flashing lights that is supposed to make you hallucinate and a sensory-deprivation tank that is meant to resemble the Dead Sea.

Escorrega no museu New, 13 de Dezember, 2011. Fonte: Spencer Platt/Getty Images North America.

Apesar do conceito da arte ser (como sempre foi) muito ambíguo, hoje deparámo-nos com uma quase inexistência do conceito ou então uma ambiguidade ainda mais … ambígua.  O que é a arte? Será possível ser tudo? Há várias décadas que a arte perdeu um conceito conciso e com ele a identidade do autor, o qual passou demasiado tempo a lutar pela sua individualidade e o seu reconhecimento como criador de artefactos únicos.

Os museus eram os últimos locais de culto prestado à arte, os seus refúgios da cultura industrial e consumista. Eram os santuários onde se podia perder horas em contemplação meditativa de uma obra. E os objectos de design ganharam, também, o privilégio de serem colocados em pedestais e paredes de galerias e museus. Museus como o MoMA seguiram à risca o seu comprometimento de adoptar peças contemporâneas. Mas o que são estas peças hoje em dia?

Este é um dos problemas destes espaços – o que devem aceitar e o que não devem, obras contemporâneas vão desde os quadros de expressionismo abstracto, passando pelo fluxus, por peças de imobiliário ou utensílios de cozinha, como também obras digitais e multimédia (exemplo: vídeo arte, net.art). É fantástico ver uma mudança/evolução das “mentalidades” dos museus, no entanto torna-se fulcral questionar quais os objectos que merecem o seu reconhecimento e a contemplação do público, mesmo dentro das próprias áreas da arte contemporânea. “(…) a museum should be the place of meditation, a guarantee of distilled quality” (Antonelli, 2009: p. 8).

Mas nós não vivemos numa época de contemplação, mas sim de vislumbres rápidos e “escorregadios” (Storr, 2010). A maioria dos objectos (materiais ou não) nas galerias exigem uma interacção e participação activa do público e acabam com o tempo e o espaço contemplativo. Numa altura em que “tudo é arte” (Weibel, 2006) estes espaços transforma-se quase em montras – as pessoas passam pelas obras sem prestar demasiada atenção a não ser que algo lhes desperte a atenção, como uma imagem em movimento (vídeo) ou um artefacto estranho (no contexto do espaço museológico). Os museus descem para um patamar em que os seus concorrentes, segundo Weibel, são da indústria do entretenimento e, portanto, tentam atrair o maior número de pessoas possível.

Isto não parece de todo, uma instituição clássica, educacional, cultural e do conhecimento. Parece-me importante definir o que cada instituição (museológica) pretende transmitir, de modo a não se perder o clássico na mistura com o moderno ou contemporâneo. São tempos de observação diferentes. Então deve-se separar os espaços segundo o tipo de observação predominante (contemplativa, activa), evitando assim interrupções da contemplação ou momentos “mortos” na acção?

A Gallery One, do Museu de Arte de Cleveland é um excelente espaço dedicado à tecnologia e arte e à primeira vista aparenta procurar uma harmonia entre estas duas vertentes, socorrendo-se da tecnologia em função das obras de arte clássicas (contemplativas). No entanto, visto que é um espaço onde a tecnologia prevalece e o seu uso é constante durante a experiência museológica, o espaço segue uma lógica de observação mais activa, que conduz a uma maior disrupção do acto contemplativo.

A galeria tem uma índole activa, participativa e informativa, na medida em que oferece ao público uma forma imediata (através da Realidade Aumentada) de obter mais informação sobre uma peça, quebrando assim o olhar contemplativo sobre a mesma. Este espaço pode ser encarado, também, como um ponto de consumo virtual, de imagens digitais de obras de arte. No mural que contém milhares de imagens digitais, os indivíduos podem escolher as imagens que mais gostam e transferi-las para o seu dispositivo móvel  com um simples gesto, como se de um cesto de compras se tratasse.

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ANTONELLI, Paola (2009). “Evolution: The Future of Museum Collections of Design” in Everything design: the collection of the Museum für Gestaltung Zürich. Ostfildern: Hatje Cantz.

STORR, Robert (2010). “Art Space”.  Frieze, March. Disponível em http://www.frieze.com/issue/article/art_space/.

WEIBEL, Peter (2006). “The Museum of the Future” In Basar, S.; Miessen, M. (eds.) Did Someone Say Participate? An Atlas of Spatial Practice. Cambridge: MIT Press; pp. 173-186.

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